[Depoimento]

Nos últimos meses eu tenho feito algumas muitas visitas ao meu alergista e com isso já conheci a história de muitas mães e pais. Sei que não é frescura, sei que se eles pudessem deixariam os filhos comerem de tudo. Mas existem n fatores que os impedem e nós não temos que interferir nisso!

Hoje presenciei uma cena, aparentemente inocente e comum, mas que me deixou com o coração completamente despedaçado.

Depois de mais uma consulta de rotina, estava esperando o ônibus para ir trabalhar quando percebi que no ponto tinha uma moça com sua filhinha, nos demos bom dia, falamos da demora do ônibus, falei com a neném (Clara de 5 anos) e seguimos aguardando o ônibus chegar. Eis que chega um moço com uma barra de chocolate, Monique (mãe da Clara) que estava procurando o cartão dentro da bolsa não percebe quando sua filha aceita um pedacinho do chocolate.

Depois disso, tudo foi muito rápido. Clara, começou a perder o ar e a mãe ao virar e perceber o que tinha acontecido entrou em desespero. Clarinha, estava tendo uma reação alérgica.

Eu, como conhecedora desses desafios, larguei minhas coisas e fui ajudar Monique que não sabia se chorava ou se tentava socorrer Clara.

O moço, não parava de pedir desculpas e de dizer que não sabia (mas é claro, nenhum de nós dois conhecíamos Clara ou Monique, como poderíamos saber?) .

Pedi pra que o moço chamasse o SAMU e não deixasse ninguém se aproximar, tumulto sempre piora tudo. Consegui uma água para Monique que não parava de pedir perdão à filha (porque se “descuidou” por 15 segundos).

Quando voltei pra perto da Clara, sua boca já estava roxa e seu rostinho todo inchado. Foi então que percebi que ela não ia aguentar esperar a ambulância. Eu sei como são essas coisas, e sei que um atendimento rápido pode mudar tudo.

Liguei para o SAMU, expliquei a situação e a atendente foi me falando o que fazer. Clara parou de respirar e pela primeira vez na minha vida fiz uma massagem cardíaca.

Monique, eu e o moço, revezamos. O SAMU chegou, mas Clarinha não resistiu. Teve uma parada cardiorespiratoria. Monique desabou e eu desabei junto.

Que dor que eu senti, que dor que eu tô sentindo. Não consigo parar de chorar. Não consigo parar de pensar naquela menina que tinha tanta coisa pra viver.

Descobri depois que a alergia a leite foi descoberta há 2 anos sendo essa a terceira reação grave. Descobri que Monique teve 2 abortos espontâneos antes de ter Clara. Descobri que Clara tinha um irmão gêmeo, que faleceu 1 semana depois do parto.

À vocês, meu conselho é NÃO OFEREÇA NADA PARA CRIANÇAS SEM A PERMISSÃO DOS PAIS.

Precisamos respeitar o próximo, precisamos respeitar os pais e responsáveis pelas crianças quando optam por uma alimentação que é diferente da sua. Não julguem, não digam que é frescura. Ninguém sabe a dor que o outro passou!

Entenda a diferença entre alergia e intolerância à lactose

alergia-vs-intolerancia