Antes que choque alguém: infertilidade não é a mesma coisa que esterilidade! Infertilidade é a dificuldade de engravidar, e como sempre digo: só sabe o que é quem passa! E tem gente que depois que consegue esquece de se sensibilizar à dor alheia.

Sempre aprendemos na escola que se deve prevenir, pois até se o rapaz pensar a moça já engravida. Somos mulheres que viemos bem informadas quanto a tudo isso. Muitas esperaram uma certa estabilidade, algumas esperaram se sentirem casadas com o homem certo.

E então quando os dois resolvem aumentar a família, sempre com aquela idéia de: cuidado que pra engravidar é super fácil. Passam-se meses e meses, e começamos a perceber alguma coisa errada.


Dai então começamos a reparar grávidas dali, bebês daqui, uma amiga engravida sem querer. E a vida começa a virar uma expectativa, dia a dia, períodos férteis, dias certos para relação.

O relacionamento se desgasta e passa a ser uma máquina de reproduzir. O médico manda que seja dia sim dia não, e a mulher não pode se levantar da cama. Parece simples, mas se torna um pesadelo. E ai a TPM é redobrada com expectativas, procura de sintomas, “nunca senti isso antes, só pode ser gravidez”. E uma espera sem fim. Com medo de parecermos chatas, ficamos com isso só pra nós, mas é uma espera que corrói, uma ansiedade matadora.

E os dias não passam, 2 semanas parecem 1 mês. Já começamos a contar semanas de gestação, “meu bebê foi concebido no dia x”, “vai nascer no mês x”, já imaginamos o quarto, escolhemos os nomes, e… mês a mês, um funeral acontece. Pode parecer forte, mas é isso sim que acontece: a perda do filho, ele se foi, só existiu nos sonhos.

E ai vem a sensação de impotência. Muitas acham que estão sendo castigadas pelo destino. “O que eu fiz pra merecer isso?”, enquanto dia a dia vemos notícias de mulheres que jogam seus filhos em lagos.

Infertilidade conjugal é um assunto que não é muito comentado. Sempre conhecemos alguém que “não pode ter filhos” mas o pensamento sempre é: “coitada, deve ser horrível…” (e logo esquecemos) enquanto a gente sempre vive pensando que as coisas só acontecem com os outros!

Ninguém aborda o assunto infertilidade no aspecto emocional, pois só quem passa sabe o que é. É uma espera que não se sabe quanto vai demorar. Os médicos dão 1 ano para que se comece um tratamento. Mas não há prazos. Essa loteria pode durar anos e anos.

Minhas já completaram alguns anos. Já chorei muito, sim, pode parecer ingrato chorar por isso com tanta coisa que há no mundo. Mas eu reforço: ninguém sabe o que é se sentir tão incapaz quanto não poder gerar.